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Brasil Isolado? As Tarifas de Trump Expõem a Fragilidade Geopolítica do Governo Lula

As Tarifas de Trump Expõem a Fragilidade Geopolítica do Governo Lula
Pior momento da história da relação diplomática Brasil e Estados Unidos

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, de impor tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto, acendeu o alerta máximo na diplomacia nacional. Embora oficialmente apresentadas como medidas econômicas, as tarifas carregam um conteúdo punitivo e político explícito: Trump acusa o Brasil de promover censura nas redes sociais, perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro e violar os princípios fundamentais da liberdade de expressão.

Trata-se de um gesto com peso histórico. Nunca antes o Brasil havia sido alvo de um ataque comercial direto de um parceiro estratégico das Américas com base em supostas violações internas do Estado de Direito. A medida, embora adotada unilateralmente por Washington, expôs um problema maior: o Brasil de 2025 está cada vez mais isolado no cenário internacional — e não apenas por causa de Trump.

Um gesto político com aparência econômica

Em sua carta oficial, Trump não deixou dúvidas sobre as motivações da medida. Ele classificou os inquéritos conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e criticou as ordens de censura emitidas contra plataformas como Truth Social, X (antigo Twitter) e Rumble. O governo norte-americano, sob sua nova administração, entende que há violação de liberdades civis no Brasil — e responde com retaliação tarifária.

Embora o instrumento seja comercial, a natureza da sanção é claramente ideológica e diplomática. O presidente dos EUA usou seu poder econômico para pressionar politicamente o Brasil, algo geralmente reservado a regimes autoritários, não a democracias formais.

Reações tímidas e silêncio constrangedor às tarifas de Trump

Diante da gravidade da situação, o esperado seria que o Brasil recebesse apoio imediato de parceiros internacionais. Mas o que se viu foi o contrário: nenhum país ocidental saiu em sua defesa.

Na União Europeia, as atenções estão voltadas às próprias tarifas que Trump ameaça impor ao bloco. Ursula von der Leyen e outros líderes falaram em "risco sistêmico", mas sem mencionar ou defender o Brasil.

Pior: a OTAN, por meio de seu novo secretário-geral, Mark Rutte, mencionou explicitamente que países como Brasil, China e Índia poderiam sofrer sanções secundárias, caso mantenham laços com a Rússia. Uma associação direta e preocupante.

Já entre os BRICS, grupo ao qual o governo Lula tem tentado se alinhar como alternativa ao Ocidente, o apoio foi protocolar e superficial. Nenhum líder — nem Xi Jinping, nem Vladimir Putin — fez declarações explícitas em defesa do Brasil. Houve apenas críticas genéricas ao “unilateralismo tarifário” dos EUA. A Índia, por sua vez, rejeitou publicamente a proposta brasileira de criação de uma moeda comum, sinalizando divisão interna no bloco.

A moeda dos BRICS: liderança sem seguidores

A proposta de Lula de criar uma moeda dos BRICS para substituir o dólar nas trocas comerciais internacionais foi apresentada com entusiasmo pelo Itamaraty. No entanto, teve resposta fria e evasiva dos demais membros.

  • A Índia rechaçou diretamente a ideia, dizendo que “não há plano real de moeda única”;

  • A China e a Rússia preferem estratégias alternativas, como o BRICS PAY ou o uso de moedas nacionais;

  • A África do Sul se manteve neutra.

A iniciativa brasileira, longe de unir o bloco, expôs a falta de liderança efetiva do Brasil dentro dos BRICS — e, mais ainda, sua dificuldade em articular uma frente internacional coesa.

Europa desconfiada, França distante

No front europeu, a França continua travando o acordo Mercosul–União Europeia, com o presidente Emmanuel Macron criticando duramente aspectos ambientais e de proteção ao produtor europeu.

Rumores nas redes e blogs políticos sugeriram que autoridades francesas estariam “arrependidas de ter apoiado Lula”, mas não há confirmação oficial dessas declarações. Ainda assim, o silêncio francês frente às tarifas impostas por Trump é estrondoso. Não houve condenação, nem solidariedade — apenas omissão.

Um país cada vez mais só

Com os Estados Unidos em rota de colisão, a Europa fria e os BRICS divididos, o Brasil se vê politicamente isolado. Nem mesmo as afinidades ideológicas com China, Rússia ou África do Sul foram suficientes para gerar uma rede de apoio real diante da maior sanção internacional ao país nas últimas décadas.

Internamente, o governo tenta minimizar os efeitos, mas setores do agronegócio, da indústria e da diplomacia estão em alerta. A perda de credibilidade internacional não decorre apenas das tarifas americanas, mas do conjunto da política externa brasileira, marcada por contradições, improviso e discurso fora de sintonia com a realidade geopolítica global.

A crise atual exige mais que discursos: exige reposicionamento estratégico. O Brasil precisa decidir se quer ser uma potência neutra, um parceiro confiável do Ocidente ou um articulador de uma nova ordem global. Hoje, não é nenhuma dessas coisas — e a conta diplomática começa a chegar.

O isolamento do Brasil não é um castigo: é consequência.

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